sexta-feira, 5 de Maio de 2017 08:52h Luiz Felipe Enes

Quantidade de imóveis para alugar só aumenta em Divinópolis

Levantamento feito pelo Jornal Gazeta do Oeste aponta que, em média, 2.500 imóveis estão prontos para serem alugados em diferentes regiões de Divinópolis. A variação de preço entre uma imobiliária e outra pode surpreender

Elas já tomaram conta de boa parte da cidade e estão em todos os cantos. Uma, duas, três, quatro e até cinco placas de anúncio dividem o mesmo espaço, com um único objetivo: alugar o imóvel. Desde o ano passado, a quantidade de imóveis para locação aumentou significativamente em Divinópolis. Caminhando pela Avenida Getúlio Vargas, nossa reportagem avistou um prédio com pelo menos dez apartamentos para alugar.

Nos bairros, a situação é praticamente a mesma. Várias casas disponíveis e na prática, pouca gente animada em alugar um imóvel. Um levantamento feito pelo Jornal Gazeta do Oeste junto a algumas imobiliárias da cidade revelou números importantes. Uma imobiliária informou à nossa reportagem que existem hoje, em Divinópolis, em média 2.500 imóveis disponíveis para locação.

Outra empresa informou que existem 1.100 estabelecimentos comerciais e 1.600 residências para alugar em diversos bairros da cidade. É de olho em encontrar uma casa para morar que a estudante Yara Oliveira tem andado e pesquisado de imobiliária em imobiliária, atrás de um preço compatível. Segundo a estudante, nenhuma proposta boa foi encontrada até o momento.

“Nós já andamos muito, já liguei em várias imobiliárias e até conversei diretamente com o dono de um apartamento, mas os preço ainda estão salgados. Antes de sair da república em que eu vivia, pagávamos, em média, R$ 400. Eu queria achar algo mais central, sabe? Mas o apartamento mais barato que eu achei no Centro estão querendo cobrar da gente R$ 1000 mais o condomínio, aí aperta”, disse Yara.

PECHINCHAR É PRECISO

O preço do aluguel pode variar, e muito, de uma imobiliária a outra. Nossa reportagem procurou três empresas do ramo. O objetivo era saber o preço de um apartamento disponível para locação na Rua Minas Gerais, bem no Centro de Divinópolis. Na primeira imobiliária consultada, fomos informados que o referido apartamento, com três quartos - um com suíte, sala, cozinha e copa – sem vaga na garagem custava R$ 1000 além do valor do condomínio.

A atendente informou que o condomínio é cobrado à parte, podendo chegar em média a R$ 100 mensais. A surpresa vem com a segunda imobiliária consultada. Ao questionarmos o valor do aluguel, recebemos a informação de que o preço do imóvel é de R$ 900, além da taxa cobrada no condomínio. Por fim, a terceira imobiliária disse que teria até mais de um apartamento disponível no mesmo prédio. O valor: R$ 950, acrescido o valor do condomínio.

Já em outras duas imobiliárias, buscamos saber o preço de um imóvel comercial para locação na Avenida Sete de Setembro, no bairro Afonso Pena, também em Divinópolis. A primeira empresa consultada informou o valor de R$ 2000. Já a segunda imobiliária informou que o mesmo imóvel poderia ser locado pela quantia de R$ 1800 mensais. Uma diferença de R$ 200. Na última a atendente ainda disse que poderíamos “pechinchar o valor”.

COMO É ESTIPULADO?

O valor de cada imóvel a ser alugado depende de cada empresa. Os cálculos de metragem podem variar e interferir no preço. O Conselho Regional de Corretores de Imóveis de Minas Gerais (Creci-MG) explicou que as empresas concorrentes utilizam metodologias diferentes ao analisar o valor de cada espaço disponível para ser alugado, como explica o delegado regional do Creci, Cléber Adriano de Carvalho.

“O Creci sugestiona que o captador imobiliário, que dá o preço, seja no mínimo, credenciado ao Conselho e que faça cursos de avaliação imobiliária para fazer o sistema de comparação. Quanto custa o metro quadrado do imóvel na Primeiro de Junho e lá no bairro Niterói e lá no bairro São José? Eles não podem ser igualados. Então cada um tem o seu sistema. Então há diferença de preço de imobiliária para imobiliária, principalmente quando existe uma chave rodando do mesmo imóvel”, explica o delegado do Creci.

TODO CUIDADO É POUCO

Como não existe um consenso entre as imobiliárias, todas elas possuem as chaves do imóvel disponível para locação. Em um apartamento no Centro, avistamos quatro placas de aluga-se de quatro imobiliárias diferentes, o que significa que cada uma delas possui a chave da referida casa. Para o delegado do Creci, deveria existir um acordo entre as empresas no ato da locação.

“Já houve esse caso por mais de uma vez. Isso é até repetitivo. Talvez as imobiliárias precisavam se reunir um pouco mais e criar um sistema defensivo, que favoreçam a eles e que não prejudique os inquilinos lá instalados e os novos pretensos, porque o risco é muito grande, de você abrir um apartamento e ele já estar mobiliado, e ter pessoas, de alto risco de violência e pode às vezes ter o desprazer de ver uma mudança espontânea. Isso pode acontecer”, explica Cléber Adriano de Carvalho.

Outro fato importante é que muitas locadoras, ao alugar uma casa ou apartamento, apenas fixam a placa de alugado, mas não retiram as placas dos concorrentes. “Então, ninguém protege as pessoas, cada um segue os seus interesses. A minha imobiliária coloca que está alugado [imóvel], mas não retira as outras falando que ainda está para alugar. Se você alugou o imóvel, com certeza assinou o contrato, coloque sua placa de alugado e retire as outras, mas ninguém põe a mão na faixa, na placa dos outros”, disse Cléber.

Um alerta importante está voltado a visitantes indesejados. Segundo o delegado do Creci, já houve relatos de pessoas que foram visitar casas e furtaram objetos. “Todo mundo fala em custo, mas ninguém fala na proteção ao inquilino, ninguém fala na troca de chaves, dos pequenos furtos, de chuveiros, de registros hidráulicos, são caros. Mas você tem uma chave rodando, a imobiliária A tem outra, A B mais uma, a C outra. Nós não temos, momentamente, uma solução criada e sim, cada um segue da forma que acha estar melhor”.

VAI ALUGAR?

Então vale a pena pesquisar, analisar preços, ir às imobiliárias e discutir valores. Mais atenção ainda ao visitar o imóvel pretendido, como orienta o delegado regional do Conselho Regional de Corretores de Minas Gerais. “Você poderia sugestionar ao cliente, ao levar a chave, para ele verificar vestígios. Por exemplo, se há um tapete de boas vindas na entrada, não entre no apartamento, tem morador. Televisão ligada, não entre, tem morador. Luz acessa à noite, tem morador. O vestígio que o apartamento ou casa está desocupada são contas no chão, excesso de correspondências, então você sabe que há bem tempo não tem pessoas. O resto é risco. Você passa a ser invasor de uma residência. O desfecho pode ser trágico. Tem que buscar um acordo entre as imobiliárias para ver essa questão das chaves”, explicou Cléber.

Talvez o problema maior para o inquilino esteja relacionado à entrega do imóvel. João de Paula é aposentado e até acionou a polícia contra uma imobiliária da cidade. No ano passado ele entregou o imóvel que vivia com a família. A decepção veio durante a vistoria. “Foi um verdadeiro absurdo. Eu fiz até botim de ocorrência porque quando fizeram a primeira vistoria, não incluíram que na casa tinha garagem. Quando eu fui entregar, o vistoriador foi na casa e disse que a garagem não constava. Eu discuti com ele e falei que jamais iria construir uma garagem numa casa quem nem minha é. Só levei o caso à polícia porque me cobraram um mês a mais de aluguel. É revoltante”, lamentou o aposentado.

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