quinta-feira, 15 de Março de 2012 09:10h Atualizado em 15 de Março de 2012 às 10:19h. Marina de Morais

Mortalidade infantil cresce quase 60% em Divinópolis

Dados do Datasus indicam que a mortalidade infantil em Divinópolis aumentou quase 60%, desde seus últimos dados computados, em 2010. O aumento pode ser notado a partir da comparação com 2008, em que houve o menor registro de mortalidade infantil na cidade

Dados do Datasus indicam que a mortalidade infantil em Divinópolis aumentou quase 60%, desde seus últimos dados computados, em 2010. O aumento pode ser notado a partir da comparação com 2008, em que houve o menor registro de mortalidade infantil na cidade. Os dados são calculados a partir de o número de crianças mortas antes de completar um ano de vida, divido por mil. Em 2008 foram registrados 9,2 e em 2010 14,8.
De acordo com Osmundo Santana, coordenador do núcleo de estudos epidemiológicos, a taxa pactuada entre poder público municipal e Governo Federal, via Plano Municipal de Saúde e Ministério da Saúde, é de no máximo 10 (dentro dos cálculos citados acima).
Osmundo conta que o último índice registrado é considerado alto. Entretanto ele diz que é necessário pensar a partir de qual referencial. Ao ser comparado com o índice nacional, o número é considerado pequeno. Entretanto, se for levado em consideração a estrutura que o Sistema Único de Saúde possui na cidade e as tecnologias disponíveis, o índice é considerado alto. Ainda mais, se for pensado que a taxa já girou em torno de 9 e a meta estabelecida é de no máximo 10.
Cerca de 70% dos casos de mortalidade infantil registrados na cidade poderiam ser evitados, de acordo com o coordenador. Um exemplo de causas que levaram crianças menores de um ano à óbito e poderiam ser evitadas é a diarréia.
Osmundo ainda diz que a taxa de mortalidade infantil é inversamente proporcional às condições de saúde e vida. Se as taxas são altas, indicam que as condições de vida e saúde são precárias. Se são baixas, há uma qualidade de vida e saúde satisfatórias.
Segundo o coordenador, existe uma nomenclatura especial para definir as mortes infantis.  As mortes que acontecem durante a primeira semana de vida da criança são chamadas de neonatal precoce. Se a morte ocorrer do 7° ao 28° dia de vida é chamada de neonatal tardia. Já após os 28 dias de vida, é denominada pós-neonatal.
O tipo de mortalidade predominante em Divinópolis é a neonatal, ou seja, até os 28 dias de vida da criança. Osmundo diz que sendo assim, as causas estão diretamente ligadas à qualidade do parto, pós-parto imediato e existência a atendimento de Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) infantil. Hoje, cerca de 99,9% dos partos realizados em Divinópolis são em hospitais. Isso indica, como dito por Osmundo, que há um problema na execução dos planos de saúde.
Outro fator que interfere no índice de mortalidade infantil, segundo o coordenador, são os nascimentos prematuros, pois é necessário dar mais atenção e oferecer maior estrutura e atenção ao recém-nascido – daí a importância da UTI infantil.
Osmundo ainda conta que Divinópolis se tornou uma cidade industrial e que isso traz conseqüências também para a mortalidade infantil. Segundo ele, parte das gestantes afirma não poder realizar todo o acompanhamento pré-natal, por trabalharem e não serem dispensadas de seus empregos durante os horários para poderem realizar os exames e consultas.
O coordenador conta que os dados refletem as classes socioeconômicas. Segundo ele, há maior risco de que a criança morra antes de completar um ano de idade em classes mais baixas.
“De uma forma geral, a principal causa da mortalidade infantil em Divinópolis hoje são as doenças originadas no período pré-natal, que dependem fundamentalmente de ações ligadas a gestação e ao parto”, explica Osmundo.
Há ainda as chamadas causas externas. Ou seja, são causas não naturais, provocadas pelo próprio homem. Entre elas estão os acidentes de trânsito, a violência e o envenenamento. Osmundo conta que hoje, no país, as causas externas matam mais do que as causas naturais. Mais de 35 mil pessoas morrem em acidentes de trânsito por ano.
Osmundo conta que há um grupo na cidade, que deve existir em todos os municípios, chamado Comitê Municipal de Prevenção de Óbito Fetal e Infantil. Segundo ele, este grupo é responsável por identificar todo óbito infantil, para que as causas sejam definidas. Apenas assim, é possível se pensar em formas de prevenção.
Entretanto, ele conta que este grupo em Divinópolis precisa de uma reestruturação, pois o grupo parece estar defasado. A existência do comitê é uma norma ministerial e ele deve possuir uma equipe de profissionais técnicos de saúde e membros da sociedade civil. Assim, nas palavras de Osmundo, o comitê na cidade deixa a desejar.
Entretanto, Osmundo diz que a Secretaria de Saúde, Cherie Mourão, já pediu que os estudos e prevenções da mortalidade infantil sejam priorizados na cidade, por ter sua taxa tão elevada.
Osmundo explica que é necessário reduzir a taxa e que o município tem condições para isso. “É necessária uma reestruturação no serviço de saúde, desde antes do pré-natal, além de maior qualificação de trabalho do parto até o nascimento e ao recém-nascido, que podem evitar a morte por causa de complicações como o desconforto respiratório do recém-nascido”, finaliza.

 

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