terça-feira, 3 de Abril de 2012 13:24h Marina de Morais

Fernando Anitelli sem máscara: O Teatro Mágico entre a pluralidade artística e a democratização da cultura

A trupe O Teatro Mágico se apresentou na cidade, gratuitamente, no último sábado, 31. O espetáculo foi ao ar livre, no final da Rua Pitangui, no evento Rua do Rock. A trupe, liderada por Fernando Anitelli, faz da música uma corda bamba entre o espetáculo circense, a poesia, a dança e o teatro. Em entrevista, Fernando conta um pouco mais sobre o projeto Teatro Mágico e a idéia de democratização da cultura, que parece ser a base fundamental do grupo.

1) Qual foi a inspiração para planejar um espetáculo circense misturado com música?

A inspiração foi saraus. Quando a gente frequentava muitos saraus e o sarau era justamente essa possibilidade de compartilhar variadas expressões artísticas no mesmo espaço de tempo e plano físico ali. Então, tinha gente que dançava, gente que desenhava, gente que cantava. Falei: Poxa! Por que não amplificar a ideia do sarau? Então fui convidando os amigos e as amigas para participarem desse “teatro mágico”, que seria música, mas teria circo, teria teatro, poesia, e o que mais coubesse. Então, foi assim que surgiu: numa grande bagunça organizada. Agora, nesses 8 anos e meio de projeto a gente buscou otimizar o grupo, profissionalizar cada vez mais a área musical, a área circense, e assim tem sido.

2) Grande parte do sucesso da banda foi adquirida através da internet. Isso foi uma ideia inicial ou foi surgindo aos poucos? Você pensa nisso como uma forma de democratização da informação?

É exatamente isso. A ideia é justamente poder trabalhar com uma ferramenta que até então é um tanto quanto mais livre, mais democrática. Não existe democracia na nossa comunicação hoje. No jornalismo, por exemplo, toda matéria que a gente está fazendo aqui vai parar na mão de um editor. E qualquer publicação tem esse filtro. E é por isso que a gente fica triste muitas vezes, porque a música, a cultura brasileira, fica fadada a estar no bom gosto do “amiguismo”, de quem, na verdade, não tem nada a ver com cultura. Mas com quem está vendendo espaço em rádio, quem está vendendo espaço em televisão, quem cuida da programação que o povo brasileiro inteiro vai ouvir. Então, a gente entendeu que a internet e a relação direta com o público seria a coisa mais corajosa, honesta, democrática e verdadeira de se fazer. Então, se você tem uma relação transparente com a sua obra, com o seu público, coisas fabulosas surgem.

3) Qual a impressão geral que você tem de Divinópolis?

Eu já estive aqui outras vezes. Eu sempre sinto que é um carinho gigante quando a gente vem, quando nos recebe. Eu tive a oportunidade de fazer uma palestra dentro de uma escola. Estamos querendo trazer o trio para cá também, que é um outro projeto meu, “As Claves da Gaveta”.
Foi aqui que eu conheci o Túlio Rivadávia, que hoje é o nosso produtor, do Teatro Mágico. O Túlio é daqui de Divinópolis e a primeira vez que nós viemos para cá foi justamente uma contratação dele.
Então, na verdade, é bacana. Eu sempre gosto de estar aqui de volta.  

© 2009-2017. Todos direitos reservados a Gazeta do Oeste. Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem autorização.