quinta-feira, 22 de Dezembro de 2011 11:45h Flaviane Oliveira

Vereadores questionam ações nos Postos de Saúde

Demora no atendimento e sorteio de fichas são apontamentos

A última reunião da Câmara Municipal foi marcada por questionamentos de vereadores sobre déficits no atendimento de Postos de Saúde. Geraldinho da Saúde afirmou ter recebido denúncias de que os usuários da Farmácia do posto de saúde do Niterói esperam muito tempo na fila, principalmente idosos e a vereadora Heloisa Cerri questionou a forma como é feita a distribuição de fichas nos Postos realizada por meio de sorteios a cada 15 dias.
De acordo com o vereador Geraldinho da Saúde ele recebeu uma denuncia de uma presidente de associação de moradores que relatou dificuldade em conseguir medicamentos “Estive na farmácia do bairro Niterói e simplesmente lá além de uma fila enorme, tinha apenas uma servidora atendendo”. A profissional nos disse que esse era um problema a ser resolvido na Semusa e não lá.


O parlamentar questionou a maneira como os usuários disseram ser atendidos e classificou os profissionais como “dinossauros” por não se sensibilizarem com os usuários e não os tratarem com o devido respeito. “Além do péssimo atendimento dessa servidora, que até pedi a líder comunitária que me envie o nome, pois vou encaminhar diretamente à ouvidoria da Semusa, porque o cidadão não tem culpa na questão de gestão. A gestão compete a nós, se nós estamos gerindo o dinheiro público e o cidadão nós paga, revertendo para eles em serviços temos que no mínimo termos respeito e humanidade nesse atendimento e falta isso”.


Geraldinho ainda frisou que os profissionais da saúde não são voluntários e não trabalham gratuitamente, recebem pelo serviço que presta. “Quando ela me relatou que na fila tinha inúmeros pacientes idosos e inclusive uma senhora de 86 anos que estava sentada no passeio passando mal. Eu pensei se a pessoa está em um posto de saúde e passa mal e ainda é mal atendido além do tempo de espera, está errado”.
Para o vereador alguns projetos mesmo que custem ao executivo precisam ser implementados para melhorarem a qualidade de vida da população. Ele menciona uma indicação do projeto “Medicamento em casa” para que os remédios do SUS para acamados, hipertensos, diabéticos e pessoas que tomem medicamentos sob controle recebam em casa, para diminuírem os problemas de estrutura da Atenção Primária. “Eu mesmo já indiquei um monte de projeto do governo indicando que Divinópolis tivesse seu projeto medicamento em casa para os pacientes. Se a gente já tivesse o projeto implantado, problemas pequenos ao olhar do governo seriam sanados”.

 

 

SORTEIOS


A vereadora Heloisa Cerri também usou o plenário da Câmara para falar sobre problemas na Atenção Primária. Segundo ela em seu gabinete recebeu mais uma denúncia das “inúmeras” recebidas frequentemente. A parlamentar explica que o Posto de Saúde do bairro Planalto tem sofrido falta de médico, além de um “sorteio da saúde”. “Sorteio da saúde é linguagem minha. Independente de quantos pacientes chegam lá, eles colocam números dentro do que a enfermeira chama de “cumbuquinha” mas na verdade é um capacete de moto, e pede as pessoas para tirarem o papelzinho. Aqueles que forem agraciados, ficam para fazer a ficha os outros têm que voltar em 15 dias”.
Cerri ressalta que os usuários do PS do Planalto que não conseguem têm voltar 15 dias depois. “Se a pessoa não tem sorte não é atendida nunca, se tiver com urgência, ou algum problema se não tiver sorte de ser beneficiado pelo sorteio a pessoa está perdida”, se indigna a vereadora.
Outro apontamento é que outros Postos de Saúde também realizam o mesmo sistema e quando os responsáveis são questionados sobre os casos de urgência afirmaram que os pacientes que esperar 15 dias. “Como esperar quinze dias? O que a gente vai fazer é procurar saber considerando que foi uma denúncia de mais locais, vamos a outros Postos de Saúde para saber como está funcionando. A maior precariedade da cidade é a falta de médicos é a queixa principal, não se encontra profissionais e os dos PSF não são efetivos, já me denunciaram isso”, frisou a parlamentar.
Cerri disse que ainda vai denunciar junto ao Ministério Público o comportamento. Sobre a situação ela explica que os postos não conseguem atender a demanda, por isso realizam o sorteio.

 

DISTRIBUIÇÃO


De acordo com a coordenadora do Posto de Saúde do bairro Planalto Marilda Ribeiro a distribuição de fichas ocorre sim, mas de maneira ordenada. As primeiras 80 pessoas que chegam ao posto pegam as fichas alternadamente para atendimento ela explica que isso ocorre para “evitar que aconteça fatos como as pessoas dormirem nas filas, ou passem o dia todo no posto”.
A coordenadora explica que é uma maneira de educar a população de ir ao posto somente no horário de pegar a ficha e que não é necessário chegar muito cedo, pois todos serão atendidos. Ela ressalta que muitas vezes sobram fichas e que quando sobram pessoas sem fichas elas são encaminhadas a outros Postos, e os casos urgentes são encaminhados para os locais necessários.
A reportagem da Gazeta tentou contato com a coordenadora do PS do Niterói, para confirmar os apontamentos do vereador, mas o celular estava desligado.

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