sexta-feira, 23 de Dezembro de 2011 09:24h Atualizado em 23 de Dezembro de 2011 às 09:28h. Liziane Ricardo/Paulo Reis

Acidente de Trabalho

Trabalhador de 46 anos fazia uma inspeção rotineira no forno de aciaria da empresa Gerdau S.A na manhã de ontem (22). Um mecanismo foi acionado acidentalmente e a plataforma do forno se abriu ocasionando a queda e morte de Ronaldo Gomes Branquinho

Um homem de 46 anos caiu dentro de um forno de aciaria da empresa Gerdau S.A, na manhã de ontem (22). Segundo informações do Sindicato dos Metalúrgicos, Ronaldo Gomes Branquinho estaria acompanhado de uma equipe para dar manutenção no forno, quando a plataforma acidentalmente teria sido aberta. Tudo indica que o trabalhador teria se desequilibrado e caindo dentro do forno, os outros dois colegas de trabalho, no momento que a plataforma se abriu conseguiram se segurar, entretanto foram encaminhados para o Hospital São João de Deus, um deles com queimaduras de 2° grau no rosto e o outro sofreu uma pancada na cabeça.
De acordo com informações, o forno teria sido desligado na última quarta-feira (21), porém o prazo adequado para o resfriamento total do forno seria de 72 horas, considerando que para se derreter o aço a temperatura utilizada no forno da aciaria geralmente gira em torno de 1500 graus e já no momento do acidente em que o forno permanecia desligado, a temperatura estaria variando entre 800 a 750°.
Duas guarnições do Corpo de Bombeiros estiveram na siderúrgica, entretanto o Tenente Marcelo de Oliveira da Polícia Militar confirmou a versão de que o forno não estava ativo, porém ainda se mantinha quente. “Fomos acionados pela empresa, devido a um acidente no forno da aciaria. Dentre os três profissionais que trabalhavam nas imediações um teria caído dentro do forno vindo a óbito. Já os outros dois tiveram algumas queimaduras e foram encaminhados ao hospital São João de Deus”, esclareceu.

INSPEÇÃO E EXPLOSÃO
Segundo os técnicos em siderurgia, este trabalho de inspeção é rotineiro, e durante a execução é normal que os metalúrgicos fiquem expostos em cima da plataforma dos fornos, desde que não estejam ativados. “Isso faz parte de uma vistoria de equipamentos geridos dentro das normas da empresa” contou Anderson Willian dos Santos coordenador do sindicato. Entretanto, a versão de Anderson contradiz as informações concedidas pelos militares uma vez que o coordenador revelou para a imprensa: “fomos informados que houve uma explosão durante a inspeção, a qual acarretou no acionamento e abertura do mecanismo, vindo a ocassionar na queda de Ronaldo. Ainda segundo informações, na parte de baixo do forno uma tampa foi aberta onde o funcionário teria caído” explicou Anderson Willian. O coordenador da classe enfatizou também que o forno estava em operação. Questionado sobre o que causaria a possível explosão, Anderson ressalta que realmente foi um acidente, porém ele se limita a não dar certeza se houve ou não a explosão do forno.
A direção da empresa Gerdau S.A fez contato com a família para informar sobre o acidente, porém a direção se negou a conceder entrevista a imprensa sobre o ocorrido. Anderson Willian representando a classe reforçou ainda que a empresa além de cumprir todos os métodos de segurança do trabalho, é uma instituição que defende muito essa questão com os funcionários de todos os setores.

FISCALIZAÇÃO
Em contato com o Ministério do Trabalho de Divinópolis, a Gerente Regional do Trabalho e Emprego, Pâmela Kiko Ohno, dois fiscais de segurança do trabalho estiveram na tarde de ontem na Gerdau para averiguar o que teria ocasionado o acidente. “Os fiscais colhem depoimentos e fiscalizam todo o perímetro do acidente como provas no processo de análise do Ministério”, afirmou Pâmela. A gerente do MT confirmou que a empresa já teria feito os procedimentos de comunicar o órgão verbalmente para que seja aberto um Comunicado de Acidente de Trabalho (CAT). 

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