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Vigilância ambiental realiza dedetização no Parque da Ilha

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Divinópolis  |  Quinta-feira, 29 de julho de 2010

Lotes próximos a casa do adolescente também receberam produtos químicos para matar carrapatos

CARINA LELLES
carina.lelles@gazetaoeste.com.br


Na tarde de ontem, a Secretaria Municipal de Saúde (Semusa), através da Vigilância em Saúde Ambiental, realizou a dedetização do Parque da Ilha. Anteriormente foi feita uma visita na casa do adolescente, que morreu com suspeita de Febre Maculosa, e lotes próximos a casa da família também receberam produtos químicos para matar carrapatos.

De acordo com o coordenador da vigilância ambiental da Semusa, Wanderson Teixeira de Freitas, o procedimento de dedetização de uma área é normal, desde que haja suspeita de possíveis doenças. “Na casa que Vinícius morava tem muito lote vago por perto e tinha cachorro, então a gente fez uma cobertura química. Um profissional foi até lá e fez a dedetização, da mesma forma foi feita uma cobertura química no local onde ele praticava esporte, que é o Parque da Ilha, pra tentar diminuir o risco”, explica.

Assim como não foi confirmada a causa morte do adolescente, não há como afirmar o local onde ele pode ter contraído a Febre Maculosa. “É difícil saber onde ele foi contaminado, porque há relato de que ele foi pra Barragem recentemente, a casa dele é um local propício também. Ele pode ter sido picado por carrapato em vários locais. Tudo indica que foi na Ilha, porque a família disse que ele foi andar de bicicleta e quando ele chegou foram tirar carrapato dele. É uma série de fatores que tem que ser explicados pra não causarem temor na população”.

Segundo Wanderson, qualquer lugar de Divinópolis ou fora da cidade, que tiver mato e for região ribeirinha, onde tiver animal silvestre ou de grande porte (cavalo, cachorro), pode ocorrer esta doença. No caso do óbito da última sexta-feira, por se tratar de suspeita, outras doenças podem ter sido a causadora da morte por causa dos sintomas parecidos. “Se você for verificar os sintomas que essa pessoa teve é muito parecido com a febre hemorrágica, com a leptospirose e com o rantavírus, então a gente tem que fazer uma investigação. Foi o que foi feito, fomos até a residência do adolescente e fizemos um questionário pra mãe. Onde essa criança gostava de ir, se ele tem histórico de viagens, se ia a algum lugar da zona rural e se ele nadava em algum rio, alguma nascente, alguma cachoeira, porque a gente não pode descartar nenhuma possibilidade”.

Wanderson ainda ressalta que no Parque da Ilha, “se perguntar aos freqüentadores: quem já pegou carrapato? Eu te garanto que 70% a 80% das pessoas já pegaram carrapato na Ilha. E desse percentual só esse garoto apresentou febre e outros sintomas. Isso leva a crer que existe a presença do carrapato, mas não precisa fazer alarde”.

Mesmo assim, o coordenador da vigilância ambiental, tranquiliza a população que apenas um tipo de carrapato transmite a Febre Maculosa.“Existe quatro fases do carrapato, muito parecido com o que acontece na dengue. Existe um ovo, a larva, a ninfa e o carrapato na sua forma adulta. A doença é transmitida por uma bactéria de nome rickettsia. Para que seja transmitida a doença, primeiro o carrapato precisa ser dessa espécie; segundo tem que estar contaminado pela bactéria. A literatura nos diz que somente de 1% a 3% dos carrapatos desta espécie vão estar contaminados pela bactéria, então não é muito fácil”, afirma Wanderson.

No início do mês, um homem também morreu com suspeita de Febre Maculosa em Divinópolis. O último caso confirmado na cidade foi em 2008. Mesmo com os dois casos suspeitos, Wanderson garante que não há motivo para pânico, porém alguns cuidados devem ser tomados. “É importante falar para a população que o Parque da Ilha é um local propício a carrapatos, lá tem rio e existe a presença de muita capivara. O animal é protegido por lei, então não pode fazer muito. O que a gente pode e vai fazer é orientar a população que não se aproxime, que não mantenha contato, que jamais dê alimento, porque isso domestica o animal silvestre. Cada vez que ele se aproximar da gente, a gente está chegando no habitat dele, onde sabemos que tem carrapato, então correremos o risco. Medidas preventivas foram tomadas, medidas cautelares. Estamos fazendo atividade de mobilização social, de educação e saúde, nós temos uma equipe de educadores que estão orientando os freqüentadores que evite chegar perto do rio”, orienta.

Wanderson ainda ressalta que se possível, a população que freqüentas estes locais, devem usar roupas mais clara e observar se há ou não carrapatos grudados nela. “Observando a presença de carrapatos, retire e de maneira adequada. A pessoa precisa ficar alerta, mas não em alarde”, ressalta.

Sintomas

Os sintomas são muito parecidos com o de outras doenças e de difícil diagnóstico. Segundo Wanderson, são três questões que fecham o diagnóstico. Primeiro: febre aguda e abrupta. Segundo: manchas vermelhas que provocam um certo inchaço, principalmente na palma da mão e na sola dos pés.Terceiro: a experiência do contato com o carrapato. “A conduta clínica é recolher o material no caso de suspeita, existe um protocolo de febres hemorrágicas e todas as pessoas, que se enquadrarem nos sintomas, material é colhido e mandado para fazer um exame específico de doença e determinar: se é um vírus, uma bactéria, um protozoário, é dividido dessa maneira”.

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