Por Liziane Ricardo - da redação
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A cúpula do PSDB está convencida de que a chapa puro-sangue é a forma de vencer a candidatura governista da ministra chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff (PT). O governador Aécio Neves (PSDB), cotado para ser vice na chapa dos tucanos na disputa pela presidência, pretende tomar uma decisão em abril ou maio.
No entanto, Aécio deve ponderar o desempenho do governador de São Paulo, José Serra (PSDB), nas pesquisas de intenção de voto, segundo aliados. A base aliada acredita que, se Aécio avaliar que o paulista sustenta a dianteira, é provável que abrace a causa. Do contrário, se dedicará à eleição em Minas Gerais.
O governador disse que não está nos seus planos compor a chapa como vice. Entretanto, a cautela se baseia no temor de que o favoritismo de Serra seja reflexo das eleições passadas e a tendência do governador seria perder espaço para os demais candidatos. Já para os aliados de Aécio, ele não pretende entrar num projeto que, além de não ser seu, tem chances de derrota.
A cúpula do PSDB está convencida de que a chapa puro-sangue se tiver um bom desempenho em Minas, dizem os caciques, seria a única forma de compensar a provável derrota no Nordeste. Muitos enfatizam que Serra será candidato em qualquer circunstância, mas acreditam que, com Aécio, a vitória fica mais próxima.
Porém, enquanto o governador mineiro caminha cautelosamente e avalia as chances de vitória do projeto tucano, os caciques do PSDB consideram que a união entre os governadores seria o ingrediente que falta para abrir uma dianteira maior nas intenções de voto. Parte do PSDB sustenta a avaliação de que a consolidação do nome de Dilma junto ao eleitorado, o ambiente econômico e a alta popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva são fatores suficientes para Aécio decidir a favor da composição.
BASTIDORES
O governador de Minas vem repetindo publicamente, de forma sistemática, que pretende disputar o Senado e se dedicar à eleição de seu vice, Antonio Anastasia (PSDB), no Estado. São Paulo e Minas são os dois maiores colégios eleitorais do País. Na terceira posição fica o Estado do Rio de Janeiro, onde os tucanos acreditam também ter vantagem em relação ao PT, se tiverem na disputa “a dupla do Sudeste”.
No caso de Aécio decidir ficar de fora do projeto Serra, outro nome tucano começa a circular nos bastidores. É o do senador Tasso Jereissati (CE). A explicação é simples: ele é do Nordeste e tem ótimo trânsito com o empresariado. “São duas importantes características que o Serra não tem.”, resumiu um integrante do PSDB.
RECONHECIMENTO
Durante as visitas a vários municípios mineiros, Aécio Neves declarou, na inauguração do aeroporto de Guaxupé. “Não há patrimônio maior para um homem público, que faz política com seriedade, do que o reconhecimento, do que esse carinho que tenho recebido de todas as regiões de Minas Gerais. Ter passado sete anos como o governo mais bem avaliado do país é motivo de honra, não para mim apenas, mas para todos os mineiros.”, agradeceu o governador. Em relação ao futuro, Neves, disse fazer uma opção muito clara, pois, permanece com idéia de sair candidato ao Senado da República por Minas Gerais. “No congresso, quero dar continuidade ao trabalho que iniciamos aqui, defendendo lá, os interesses de Minas Gerais.”, frisou.
PSDB EM BRASILIA
Já em relação ao partido dos tucanos vencer o pleito em Brasília, ele demonstra confiança. “Será uma eleição dura, mas o PSDB tem o nome extremamente qualificado, do governador José Serra, que tem todas as condições de apresentar um projeto novo para o Brasil. Devemos reconhecer que o Brasil avançou muito, ao longo dos últimos 16, 17 anos, a começar no Governo Itamar com a elaboração do Plano Real, passando pelo governo do presidente Fernando Henrique com a modernização da nossa economia.”, comentou.
Outro ponto avaliado pelo chefe de governo do estado foi a administração do presidente Lula, na qual houve uma continuidade importante, do ponto de vista econômico, que possibilitou também avanços sociais, a partir daqueles iniciados no governo do presidente Fernando Henrique.
APOIO A ANASTASIA
Quanto à questão de quem comporá a chapa de Antônio Anastasia, ele revela que a coligação dos partidos políticos que os apóiam tratará desse assunto no tempo certo, porque, o que há hoje é uma decisão desse conjunto de forças que trouxe os dois líderes ao governo mineiro. “Será um privilégio para os mineiros ter alguém da qualidade, da seriedade e da sensibilidade de Antonio Anastasia, governando o Estado. Daí por diante, as outras questões serão colocadas há seu tempo. Temos aí nomes importantes colocados, por exemplo, para o Senado, como o ex-presidente Itamar Franco, um nome respeitado em Minas e fora de Minas Gerais, mas essas discussões ocorrerão a partir do mês de abril.”, finalizou Neves.