Mario Eugenio Saturno
Já vimos em artigos anteriores a evolução de Paulo dentro do cristianismo. Em Perge, Paulo fez seu discurso na sinagoga (At 13,15) aproveitando o costume de se fazer exortações partindo da Escritura, costume que será seguido nas reuniões litúrgicas dos cristãos, proferidos pelos profetas e doutores (ver 1 Cor 14,3.31, 1 Tim 4,13, etc.). Antes de iniciar, "Paulo fez sinal com a mão", esse é um gesto habitual dos oradores para chamar a atenção dos ouvintes, estendia a mão direita com os dois dedos menores dobrados e os outros estendidos. E esse foi o discurso inaugural de Paulo (At 13,16-41). Em essência é o mesmo discurso que Pedro acrescido da doutrina paulina da justificação pela fé (ver Bíblia de Jerusalém).
E qual foi o resultado que Paulo conseguiu? Ao saírem, rogavam que lhes repetissem essas palavras no sábado seguinte. Depois que a assembléia terminou, muitos judeus e prosélitos devotos seguiram Paulo e Barnabé. No sábado seguinte, afluiu quase toda a cidade para ouvir a palavra de Deus. Os judeus, vendo a multidão, encheram-se de inveja e puseram-se a protestar com injúrias contra o que Paulo falava. Com toda a intrepidez, porém, Paulo e Barnabé disseram-lhes: Era a vós que em primeiro lugar se devia anunciar a palavra de Deus. Mas, porque a rejeitais e vos julgais indignos da vida eterna, eis que nos voltamos para os pagãos (At 13,42-46).
Cabe ressaltar que no texto, prosélito tem o sentido lato da palavra, significa temente a Deus e adoradores de Deus. A inveja é catalogada pela Igreja como um pecado capital, pois, como vemos aqui, os judeus perderam a salvação. Em geral, quem rejeita um apóstolo de Cristo rejeita o próprio Cristo, a Salvação. A idéia de intrepidez já usada para mostrar a atitude dos apóstolos, assume em Paulo também sua expressão, como veremos em todo o Atos e nas Epístolas.
Paulo e Barnabé, sacudindo a poeira dos pés contra os judeus, partiram para Icônio. E Paulo usou da mesma estratégia na Sinagoga, atraindo uma multidão e muita inveja dos judeus. Novamente, tiveram que fugir (Atos 14,1-7). Então, em Listra, vivia um homem aleijado das pernas, coxo de nascença, que nunca tinha andado. Paulo, fixando nele os olhos e vendo que tinha fé para ser curado, disse em alta voz: Levanta-te direito sobre os teus pés! Ele deu um salto e pôs-se a andar. Vendo a multidão o que Paulo fizera, levantou a voz, gritando em língua licaônica: Deuses em figura de homens baixaram a nós! Chamavam a Barnabé de Zeus (Júpiter) e a Paulo de Hermes (Mercúrio), porque era este quem dirigia a palavra (Mercúrio era o mensageiro). Um sacerdote de Zeus Propóleos trouxe touros ornados de grinaldas, querendo, de acordo com todo o povo, sacrificar-lhos. Mas os apóstolos Barnabé e Paulo, ao perceberem isso, rasgaram as suas vestes e salta
ram no
meio da multidão (At 14,8-14). Paulo pregou, fez milagre, e foi confundido com um deus pagão, foi demais, precisa penitenciar-se.